Questionado pelo pai sobre quem havia trazido-o de carro para casa, Marcos disse que foi um colega de trabalho que ia na casa da namorada.
Como Diogo previra, Marcos não conseguiu dormir naquela noite. Diante do que estava acontecendo, muitas implicações surgiam em sua cabeça:
"Será que isso tudo é verdade? Será que não estou preso a uma ilusão? Como vou viver com isso? Conto ou não conta para minha família?"
Sobretudo, o que mais impressionava Marcos não era a onda de choque que provavelmente causara, ou a parede que quebrou no serviço, e nem o fato de Diogo ter levantado um carro na sua frente, mas sim o fato dele ter dito que há mortes nesse jogo.
"Eles virão atrás de mim! E se isso for verdade, o que farão comigo? O que farão com minha família? O que Devo fazer?"
Marcos era uma pessoa que acreditava em Deus, mas não era um fiel fervoroso. Tampouco lia a Bíblia. Evitava pedir a Deus qualquer coisa, pois achava-se capaz de conseguir o que queria.
No entanto, naquela noite, diante da loucura que estava acontecendo, rezou e pediu orientação. Mesmo sabendo que aquilo ia de contrário ao pouco que sabia sobre Deus e religião.
"Afinal, o que eu sou?"
Depois de ficar olhando um tempo para o teto escuro, levantou-se subitamente, sentando-se na cama, com as mãos apoiadas nas pernas.
"Isso é loucura! Irracional! Uma farsa! Estão tentando me convencer de algo que não existe. Tudo que aconteceu nesses dias deve ter alguma explicação lógica. Vou acabar com essa palhaçada que estão fazendo comigo."
Do outro lado da rua, a uns 20 metros do portão da casa de Marcos, um misterioso senhor faz um ligação:
- Diogo, teremos problemas!
- Problemas às 02:37h? O que está havendo?
- Senti duas presenças. Eles já descobriram.
- Tô indo pra aí!
Intrigas entre o Céu e a Terra
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Diogo Cavalcante
Diogo Cavalcante, 34 anos, solteiro, bem apessoado. Trabalha como corretor de imóveis desde os 25, o que lhe deu um certo conforto diante das circunstâncias da "guerra" que trava com os "opostos".
Por trabalhar com o carro, pode se locomover livremente pela cidade, culpando o trânsito por seus atrasos em algumas visitas de negócios.
- Marcos Costa. - disse Marcos estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Ok Marcos, é bem vindo entre nós! Quantos anos você tem?
- 22. E você com essa cara de playboyzinho, filhinho de papai deve ter no máximo uns 17, 18.
- Vou encarar isso como um elogio. Esse é meu uniforme de trabalho. Acredite, não passamos o tempo todo matando gente por aí, e nem somos pagos pra isso. Meu trabalho me sustenta.
- Mas com certeza deve ter ajuda de seus pais para encobertar essas coisas. Ou eles nem sabem?
- Meus pais morreram há 17 anos.
- Você é órfão de nascença?
- Marcos ... eu tenho 34 anos!
Para Marcos, mais uma coisa não fazia sentido. Diogo tinha cara de adolescente. Daqueles que aprontavam mesmo, com jeito de arteiro. Mesmo que ele fosse uma pessoa MUITO conservada, não aparentaria ter a metade da idade.
- Você tá de brincadeira comigo?
- Não. Se você acha que está com muitas perguntas sem respostas, você ainda não viu nada. Ainda há muito de mim, de nós, para você saber. Sobretudo, ainda há muito de você mesmo para você saber.
- E quando vou saber?
- Logo. Já teve muita informação para hoje. Vou te levar em casa. Amanhã nos falamos.
- Essa coisa vai acontecer comigo de novo? Sabe, a onda de choque?
- Possivelmente sim, mas não dá para saber quando.
- E devo manter isso em sigilo certo? Ou os "outros" virão atrás de mim correto?
- Eles virão atrás de você. Isso é fato. Você tem família? Mora com seus pais? Irmãos?
- Sim!
- É uma decisão difícil para cada um de nós revelar ou esconder isso de nossas famílias. O medo de que elas sofram alguma consequência por conta desse dom é a pior coisa.
- E agora? - perguntou Marcos visivelmente apreensível.
- Um passo de cada vez. Vamos entre no carro, o deixarei em casa. Essa noite, provavelmente você não dormirá mesmo.
Por trabalhar com o carro, pode se locomover livremente pela cidade, culpando o trânsito por seus atrasos em algumas visitas de negócios.
- Marcos Costa. - disse Marcos estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Ok Marcos, é bem vindo entre nós! Quantos anos você tem?
- 22. E você com essa cara de playboyzinho, filhinho de papai deve ter no máximo uns 17, 18.
- Vou encarar isso como um elogio. Esse é meu uniforme de trabalho. Acredite, não passamos o tempo todo matando gente por aí, e nem somos pagos pra isso. Meu trabalho me sustenta.
- Mas com certeza deve ter ajuda de seus pais para encobertar essas coisas. Ou eles nem sabem?
- Meus pais morreram há 17 anos.
- Você é órfão de nascença?
- Marcos ... eu tenho 34 anos!
Para Marcos, mais uma coisa não fazia sentido. Diogo tinha cara de adolescente. Daqueles que aprontavam mesmo, com jeito de arteiro. Mesmo que ele fosse uma pessoa MUITO conservada, não aparentaria ter a metade da idade.
- Você tá de brincadeira comigo?
- Não. Se você acha que está com muitas perguntas sem respostas, você ainda não viu nada. Ainda há muito de mim, de nós, para você saber. Sobretudo, ainda há muito de você mesmo para você saber.
- E quando vou saber?
- Logo. Já teve muita informação para hoje. Vou te levar em casa. Amanhã nos falamos.
- Essa coisa vai acontecer comigo de novo? Sabe, a onda de choque?
- Possivelmente sim, mas não dá para saber quando.
- E devo manter isso em sigilo certo? Ou os "outros" virão atrás de mim correto?
- Eles virão atrás de você. Isso é fato. Você tem família? Mora com seus pais? Irmãos?
- Sim!
- É uma decisão difícil para cada um de nós revelar ou esconder isso de nossas famílias. O medo de que elas sofram alguma consequência por conta desse dom é a pior coisa.
- E agora? - perguntou Marcos visivelmente apreensível.
- Um passo de cada vez. Vamos entre no carro, o deixarei em casa. Essa noite, provavelmente você não dormirá mesmo.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Absurdo
Na cabeça de Marcos as coisas faziam um nó.
- Eles quem cara? Do que você tá falando? Nada disso faz sentido!
- Você capotar um carro também não faz. Não é porque não compreendemos que não exista.
- Você me disse que há uns 300 como eu e você. Todos podem fazer esse tipo de coisa?
- Sim. E muito mais!
- Por quê?
- Por que existimos ou por que temos esses dons?
- As duas coisas.
- Não faço a menor ideia.
Marcos ficou indignado.
- E você disse que "eles" são em maior número. Quem são eles?
- Eles são nossos antagonistas, nossos opostos. Nós estamos em guerra!
"Eu devo estar sob efeito de algum alucinógeno, só pode!"
- E por que estamos em guerra?
- Esse é o maior mistério. Tem sido assim há milênio.
- Milênios? Quer dizer que sempre existiram esses 300?
- Sim. Mas antes que me pergunte se são os mesmo, lhe digo que não.
- E como ou por que fui escolhido para ter essa coisa?
- É aleatório. Sempre que um morre, aparece um substituto perto.
Marcos ficou paralisado.
- Eu disse: estamos em guerra!
- Não irei participar disso. Essa guerra ou sei lá o que que vocês estão fazendo, não é minha.
- Não só é parte dela, como já está participando. Eles, os outros, os opostos, também saberão de você em breve. E virão atrás de você ... para matá-lo.
Marcos arregalou os olhos, e uma gota de suor caiu de sua testa.
- Fique calmo! Já te achamos! - disse o rapaz sorrindo.
"Ah claro! Ajudou muito."
- Aliás, nem me apresentei. Meu nome é Diogo. Diogo Cavalcante.
Real
Marcos mal podia entender o que estava vendo.
Quando o rapaz desceu a frente do carro, aparentemente sem fazer muito esforço, Marcos correu em direção ao carro e tentou novamente levanta-lo em vão.
- Como você fez isso? Faz de novo?
- Ah pára! Assim estrago a suspensão do meu carro, isso custa dinheiro.
- Não pode ser! Eu devo estar tendo alucinações. Ou devo estar ficando louco!
- Mantenha a calma. Você não está ficando louco. Você é capaz de fazer isso e muito mais. Aliás, já fez.
- Mas então você é o que? Um mutante? Um demônio? Um anjo?
- Mutantes com certeza não somos. Não temos qualquer alteração genética. Somos humanos como qualquer outro.
- Humanos normais não levantam 800 kg com uma mão.
O rapaz achou engraçado.
- Verdade. Mas isso é só uma demonstração do que podemos fazer.
- Mas existem outros de nós?
- Um para cada 23 milhões. Parabéns! É como se você tivesse ganhado na Loteria!
- Então existem 300 como nós?
"Ele é rápido!"
- Mais ou menos isso. Pode haver alguns que ainda não foram descobertos. Mas você é bom de matemática!
- Então ter me achado foi muita sorte!
- Sim. Mas você seria achado de uma forma ou de outra. Se não fosse eu, eles te descobririam.
- Eles?
- Você acha que estamos sozinhos? Para cada um de nós, existem três deles …
Irracional
No dia seguinte, quando estava se aproximando do trabalho, Marcos sentiu a mesma sensação boa do dia anterior. Sabia que o rapaz misterioso estava por perto. E não demorou a encontrá-lo do outro lado da rua. Acenou com a cabeça, um sinal de positivo.
Na saída do trabalho, lá estava o rapaz novamente. Marcos caminhou em sua direção.
- Parece que finalmente se convenceu.
- Sim! Mas o que você quer afinal comigo?
- Somente lhe mostrar o que é!
- Então tenho alguma espécie de poder? O que é exatamente?
- Não costumo chamar isso de poder, mas sim de dom.
- Mas e você? Também tem esse “dom”?
- Sim.
- Então me mostra!
- Sem problemas. Meu carro está a uma quadra daqui. Posso lhe mostrar o que quer ver, mas não aqui.
Marcos titubeou. Sair com um estranho que fala coisas mais estranhas ainda, seria um perigo em potencial. Mas de qualquer forma, algo tinha acontecido consigo, e ele queria descobrir o que era. O estranho poderia ter uma resposta.
- Vamos!
Caminharam em silêncio até o carro do rapaz.
O rapaz guiou o carro até uma área deserta, perto da empresa onde Marcos trabalhava. Em rua sem saída, que dava para o portão de uma outra empresa, o rapaz parou o carro.
Marcos estava tenso, desconfiado. Mas desceu do carro quando o rapaz pediu.
- Quanto você acha que pesa esse carro?
- Sei lá, uns 800 kg.
- Certo! Então o levante!
- QUÊ!?
- Isso mesmo, levante-o!
- Não tem como eu levantar 800 kg.
- Ao menos tente.
Marcos pegou o pára-choque frontal com as duas mãos e deu um impulso pra cima. O carro deu uma leve balançada e nada.
- É essa a sua força?
Marcos ficou um pouco irritado, e tentou de novo com mais força. Nada.
- Tudo bem! É impossível né?
- Lógico!
O rapaz sorriu calmamente.
- E se eu conseguir?
- Não tem como! É irracional pensar que você pode levantar ess …
Antes que Marcos terminasse o raciocínio, viu o rapaz misterioso levantar a parte da frente do carro acima dele mesmo, usando somente um braço.
Sem Lógica
- Eu direi que você está louco! Nem fiz nada!
- Não fez conscientemente. Mas posso lhe provar que fez.
- Cara, eu não sei quem é você e nem porque cismou comigo, mas se você não me deixar em paz, serei obrigado a chamar a polícia. Tem um posto policial perto daqui.
- Eu tenho um vídeo aqui comigo, no notebook, que comprova que você foi o causador do acidente.
- Como você tem um vídeo? Você é maluco? Tá drogado?
- O acidente que presenciou passou na TV. E se passou na TV é fácil achar no YouTube.
Marcos titubeou. O que afinal queria aquele rapaz com ele?
- Se quiser, posso lhe mostrar aqui mesmo. Não vai demorar mais que 5 minutos.
Marcos no fundo estava curioso. O rapaz lhe falava com convicção e tranqüilidade. Como se realmente soubesse de tudo.
- Ok! Você tem 5 minutos.
O rapaz rapidamente abriu a maleta, ligou o notebook, e abriu o vídeo.
- Consegue ver bem daí?
- Sim, perfeitamente!
- Esse vídeo foi gravado por uma câmera de trânsito que fica em frente à relojoaria, e filmou o acidente. Acompanhe comigo.
Marcos viu pela primeira vez a cena desde o dia do ocorrido. Viu quando levantou a mão e subitamente o carro capotou.
- Agora vou te contar o que causou esse acidente.
Marcos ficou calado.
- Uma onda de choque.
- Onda de choque!? De onde?
- Partiu de você!
- QUÊ!? Nossa! Já perdi tempo demais aqui.
- Acompanhe o vídeo pausadamente. Aqui foi a hora que você levantou o braço, e perceba que no segundo seguinte do vídeo, poeira, papel e sujeira levantam-se bruscamente do chão.
Marcos apertou os olhos para enxergar direito.
- Um segundo depois a onda de choque colide com o carro, e ele começa a levantar. No terceiro segundo ela chega até as calçadas, e quebra os vidros das lojas. Mas o detalhe é que isso acontece em todas as direções partindo de você. Caso contrário, você também seria jogado longe. Concorda?
Marcos tinha raciocínio rápido. E realmente o que o rapaz dizia ela verdade. A tal onda de choque partia de si. Mas não havia lógica nenhuma naquilo. Como ele produziria uma onda de choque?
- É cara, muito boa sua montagem! Já pode ficar famoso com ela e sua explicação maluca! Eu tenho que ir.
Marcos virou-lhe as costas, e partiu rápido. O rapaz gritou:
- Tudo bem! É estranho. Mas eu sei que você sentiu uma sensação boa hoje.
Marcos sentiu um calafrio. Por duas vezes no dia ele havia sentido uma sensação boa, sem explicação aparente. E justamente quando encontrou o misterioso rapaz.
Ao chegar em casa, comeu algo e correu para o computador. Procurou pelo vídeo na internet e não demorou a encontrá-lo. Viu e reviu diversas vezes, pausando, analisando. E confirmou: o rapaz estava certo. Seja lá o que aconteceu, partiu de si.
Intrigante
Depois de ter perdido mais tempo com a chave do cadeado, finalmente Marcos pôde trabalhar. Mas foi motivo de muita brincadeira por parte dos colegas de trabalho, devido aos fatos que ocorreram naquele dia.
Marcos tentou se concentrar e trabalhar.
Mais tarde, em casa, ficou sabendo que o acidente que presenciara passou até na tv. Explicou para a sua família que não entendia como aquilo havia acontecido.
Três dias se passaram na mais perfeita paz, para alívio de Marcos.
Porém no sábado, ao chegar perto do trabalho, Marcos repentinamente sentiu uma sensação boa. Uma paz inexplicável. Como se todos os problemas tivessem acabado, ou como se tivesse reencontrado alguém que não via há muito tempo.
Em seguida, foi abordado por um jovem de terno.
- Pode me tirar uma dúvida? – perguntou o desconhecido.
Marcos prontificou-se.
- Era você que estava no acidente que ocorreu aqui perto na terça?
- Não sei do que está falando.
- Tem certeza que não sabe?
- Cara, desculpa, não sei do que está falando, e estou atrasado para entrar no trabalho.
Marcos partiu rápido. Obviamente não tinha nada a ver com o acidente. E por que falaria disso pra um desconhecido?
Mas o que lhe intrigou foi o fato do rapaz saber que ele esteve lá. Ele não havia perguntado por dúvida, mas sim para ter uma constatação.
Mas logo esqueceu de tudo aquilo, e trabalhou bastante naquele dia.
À noite, depois que saiu do trabalho e caminhava para o ponto de ônibus, sentiu a mesma sensação que mais cedo, e logo pôde ouvir alguém ao seu lado.
- Oi de novo!
Era o rapaz de mais cedo.
- Cara, você ta me seguindo? O que você quer comigo?
- E se eu te disser que quem provocou aquele acidente foi você?
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