Marcos já acordou revoltado. Graças ao belo transporte público de sua cidade, chegou atrasado no trabalho por várias vezes consecutivas, o que lhe rendeu a advertência do dia anterior.
Não bastasse o excesso de trabalho, mais essa.
E também não estava acreditando até então no que Mariana havia feito na noite passada. Depois de um dia cansativo e estressante ter ido até a escola dela na hora da saída, ter levado-a em casa, e no caminho ter escutado mais uma vez sobre o ex dela, e não ter ganhado nem um beijo no rosto era muito revoltante.
“Sou tonto demais!”
E por ter acordado tarde, não podia perder tempo. Mas felizmente naquele dia chegaria no horário no trabalho.
Era o que ele pensava, antes do ônibus que ele estava quebrar no caminho. Longe demais para ir de pé. E o outro tardou a passar.
Atrasaria de novo.
Ao descer no ponto, já atrasado, e suado por ter vindo em outro ônibus lotado, corria para minimizar a bronca que certamente tomaria.
E ainda tinha a bendita Mariana que não lhe saia da cabeça. E também pensava no tanto de serviço que teria naquele dia.
Marcos estava estressado. E nem tinha chegado ao trabalho. Mas perto da empresa, ao cruzar correndo uma rua sem olhar para os lados, um carro aproximava-se velozmente de si. Ao perceber, Marcos correu, e inconscientemente levantou o braço bruscamente e gritou:
- Ahhhhhh!
Uma fração de segundo depois Marcos escutou um estrondo. E viu o carro que chegava perto subitamente levantar a parte da frente, a uma altura de uns 3 metros e capotar. Escutou também barulho de vidros quebrando, e alguns gritos.
“Que porra é essa?”
Com o coração disparado, parado na calçada, Marcos tentava entender o que estava acontecendo. No outro lado da rua, as vidraças da loja estavam quebradas. Na sua frente um carro de ponta cabeça e os passageiros gritando. Marcos ficou tão transtornado, que não conseguiu mover um músculo para ajudar ninguém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário